Sbado, 23 de Outubro de 2021 |

Homicídio de Wagner Lovato choca a população que clama por justiça e promove manifestação ao lado da família

Existe um ato marcado para ocorrer na manhã de sábado, 09/10, entre a Prefeitura e o local do homicídio

Por Redação em 08 de Outubro de 2021

"Nesse sábado se espera dezenas de pessoas na manifestação que clama por justiça aos envolvidos" (Foto: Guilherme Wunder)


Uma notícia que chocou há todos durante o domingo, 03/10. Uma morte que teria ocorrido após uma reclamação pelo preço da carne. Imagens de câmeras de segurança mostram as agressões e que não houve princípio de reação. Tudo isso assola a família e amigos de Wagner Lovato, que foi agredido e veio a óbito no último final de semana – chocando a família e amigos.

Desde então o caso vem ganhando proporção nacional. Enquanto os dois supostos agressores estão presos, a investigação policial segue em andamento. Neste sábado, 09/10, a partir das 09h, uma manifestação deve ocorrer no centro do município. A ideia é que o ato que pede a justiça tenha início em frente a Prefeitura e siga até o local onde ocorreu o crime.

Entenda o caso

No sábado, 02/10, uma viatura da Brigada Militar foi despachada para averiguar uma briga em frente ao Shopping das Carnes. Ao chegar no local encontrou Wagner inconsciente no chão e com sangue vertendo pelo ouvido esquerdo. Um dos supostos agressores estava com as mãos ensanguentadas e visivelmente consternado, enquanto o outro suspeito estava embriagado dentro do estabelecimento.

Esse segundo suposto agressor foi identificado como gerente do comércio, mas estava de folga no dia do ocorrido. Segundo relatos que constam na ocorrência a discussão teria começado por uma reclamação de Wagner sobre o preço da carne e, ao ser agredido com dois socos, teria caído e perdido a consciência. A vítima também teria tomado um chute na cabeça enquanto estava desacordado.

Foi dada voz de prisão para os acusados que foram algemados conforme súmula vinculante nº 11 do STF para segurança própria, da guarnição e de terceiros, visto o seu estado emocional alterado. A SAMU foi solicitada no local e compareceu para prestar os primeiros atendimentos, tendo posteriormente conduzido a vítima ao hospital em estado grave. Wagner acabou não sobrevivendo e veio a óbito no domingo, 03/10.

A palavra da família

A reportagem do Jornal A Semana conversou com a prima de Wagner, Taiamanda Lovato. Ela estava passando em frente ao estabelecimento quando encontrou o seu primo inconsciente em frente ao açougue. A jovem conta que estava passando por acaso pelo local e, ao ver que havia alguém machucado, foi ajudar – ela trabalha na área da saúde. Foi somente ao se aproximar que reconheceu ser o seu primo.

Ela acompanhou a família até o Hospital de Alvorada e depois ao Cristo Redentor. Se recorda da boa relação que tinha com ele. “Ele sempre foi um cara tranquilo e calmo. As lembranças que tenho dele é de brincarmos. Ele era gremista e eu sou colorada, então sempre brincávamos sobre isso. O nosso convívio sempre foi próximo e foi muito difícil vê-lo nessa situação”, conta a alvoradense.

Quem passa em frente ao local pode perceber a presença de flores e cartazes em apoio, algo que vem ajudando a família. “É um carinho. A gente vê que estão colocando cartazes e flores lá na frente e isso nos conforta. Nós não estamos sozinhos e não somos somente nós que queremos justiça. Todos conheciam ele e ele sempre foi querido por todos. A gente sente que a população está junto com a gente”, afirma a jovem.

Ainda segundo a alvoradense, a ideia é que essa manifestação faça a justiça valer. “A gente espera que todos que gostem dele e que querem justiça estejam junto conosco. Eles foram presos, mas não foram condenados. Nós queremos essa condenação e é isso que a gente pede. Queremos justiça por homicídio culposo, pois eles tiveram a intenção de matar e agrediram covardemente”, finaliza Taiamanda.

Comoção popular

Quem passa no local é impactado. O estabelecimento onde a discussão supostamente teria começado abriu recentemente na cidade e está fechado desde segunda-feira, 04/10. Nas portas está colado um comunicado da empresa lamentando a morte e se colocando a disposição para auxiliar nas investigações. O funcionário envolvido foi afastado.

Contudo, além do comunicado, desde a tarde de quarta-feira, 06/10, começaram a surgir flores e cartazes colocados pela população. Muitos clamam por justiça ou declaram luto pela morte de Wagner. Quem passa em frente ao local para e lê o que está escrito. Os que sabem como tudo ocorreu se mostram incrédulos e cobram justiça aos envolvidos no episódio.

Juarez de Souza estava parado em frente ao local e lendo o comunicado da empresa. Em um tom de indignação ele falou do sentimento que teve ao ler a notícia. “Quando soube eu fiquei abismado. Na hora eu não sei o que faria, mas foi horrível. Foi uma barbaridade, um absurdo. Eu não aceito tirar a vida de uma pessoa por isso. De um pai de família. Isso é inaceitável”, desabafa o alvoradense.

Já Silvia Machado conhecia Wagner. Ela comprava salgadinhos dele e relatou sua indignação com o fato. “Esse cara foi tão covarde que ele saiu abraçado com a pessoa que ele matou. Ele podia ter levado o cara e apartado, mas ele segurou até o cara vir dar o golpe de misericórdia. Não é porque é o Wagner. Nenhum ser humano pode ser assassinado desse jeito. Eles mataram um ser humano por reclamar”, conta Silvia.

Posicionamento da Polícia Civil

O delegado responsável pelo caso é Edimar Machado, que falou e fez uma atualização do caso. “Nós devemos escutar mais duas ou três testemunhas e devemos partir para a conclusão do inquérito. A princípio vemos que está bem configurada a autoria dos dois envolvidos. A gente está trabalhando com o homicídio doloso e averiguando se existe alguma qualificadora”, pondera a autoridade.

Os dois indivíduos foram presos e estão no sistema prisional desde a noite de sábado, 02/10, aguardando os tramites do processo. “Se for um homicídio simples, dependendo do que o judiciário entender, a pena inicial é de seis anos. Se houver alguma qualificação passa para 12 anos. Ainda tem que se avaliar os agravantes e atenuantes. Eles não têm antecedentes criminais, mas tudo depende do juiz”, salienta o delegado.

O responsável pela investigação afirmou ainda que as forças de segurança estão fazendo tudo que está ao seu alcance para dar velocidade ao processo. “A Polícia Civil e a Brigada Militar prestaram o atendimento. Em dois minutos já havia uma viatura no local e o nosso delegado plantonista também fez sua parte. O que depende das forças de segurança está sendo conduzido de forma rápida e correta”, conclui Machado.

Nota de defesa

Os dois supostos agressores estão presos desde o ocorrido. A reportagem do Jornal A Semana tentou contato com os advogados de defesa dos dois investigados. Um deles, responsável pela defesa do homem de casaco listrado enviou uma nota afirmando que o seu cliente lamenta profundamente a morte de Wagner e que nunca foi desejado que isso ocorresse.

Segundo a nota, o ocorrido foi uma fatalidade da discussão. “Ele nunca imaginou que de seu soco pudesse resultar o falecimento de outro ser humano, provavelmente causado pela queda. Até porque o meu cliente, jamais teve qualquer passagem similar em seus 47 anos de vida. Ao ver a gravidade, ele tentou acudir Wagner, inclusive sendo agredido pelas testemunhas a socos e pontapés”, salienta o advogado Eduardo Andreis.

Por último, Andreis afirmou que seu cliente permaneceu no local para prestar seus esclarecimentos às autoridades policiais e judiciárias, sem fugir de sua responsabilidade culposa. “Meu cliente deseja o esclarecimento total e a realização da Justiça”, conclui o advogado. A reportagem do Jornal A Semana não conseguiu contato com o advogado responsável pela defesa do outro envolvido.

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