Tera-Feira, 19 de Outubro de 2021 |

Levantamento inédito mapeia riscos dos acidentes de trânsito nos municípios

Alvorada foi uma das cidades contempladas pelo estudo do DETRAN/RS

Por Redação em 01 de Outubro de 2021

"Estudo contempla acidentes que ocorreram entre 2010 e 2019" (Foto: Arquivo A Semana)


Caxias possui muitas colisões com objetos fixos, Gravataí registra a maioria dos acidentes em rodovias, Pelotas se destaca pelos acidentes com motociclistas, especialmente jovens. Em Rio Grande, o maior problema são os acidentes com pedestres idosos, e em Novo Hamburgo, os acidentes em vias municipais no turno da noite.

Os dados são de um levantamento inédito do DETRAN/RS divulgado na Semana Nacional de Trânsito (SNT), incluindo pela primeira vez os acidentes de trânsito com lesão corporal e com danos materiais, além dos acidentes fatais, que já eram analisados pela Autarquia. A base de dados é o Sistema Consultas Integradas, da Secretaria de Segurança Pública (SSP).

Dados de Alvorada

O relatório contém dados de acidentalidade fatal no período de 2011 a 2020, onde foram identificados 116 acidentes fatais que resultaram em 119 mortes. O ano de 2017 foi o mais violento, registrando 18 mortes. Já nos anos seguintes houve redução nestes índices. Quanto ao índice de mortalidade de 2020 no município, identificou-se que o índice foi de aproximadamente quatro mortos a cada 100 mil habitantes.

Em relação à natureza dos acidentes fatais, os maiores índices são dos atropelamentos com 37,1%, seguido das colisões frontais e traseiras que representaram 31,0% dos acidentes fatais. Analisando os acidentes ocorridos nas rodovias estaduais de Alvorada, estes ocorreram na ERS-118, sendo identificados cinco acidentes fatais com cinco óbitos registrados. Destes, destacam-se foram colisões e período da noite.

Quanto à distribuição dos acidentes fatais por tipo de via, estes ocorreram em vias municipais e em rodovias estaduais, sendo 94,8% registrados em vias municipais. Nas vias urbanas, observou-se que 42,7% dos acidentes ocorreram nos finais de semana, havendo maior concentração no turno da noite. Quanto a natureza dos acidentes, destacam-se os atropelamentos e as colisões frontais e traseiras.

Quanto aos logradouros com maior incidência de acidentes, verificou-se que os acidentes fatais ocorreram em diversos locais, destacando-se a Avenida Presidente Getúlio Vargas, Rua Itararé e a Estrada Frederico Dihl que juntas representaram 44,8% do total de acidentes fatais no período e 47,3% dos acidentes ocorridos nas vias urbanas de Alvorada.

Com relação à distribuição dos acidentes por dia da semana e turno, destaque para os finais de semana que corresponderam a 43,1% do total, havendo maior incidência no turno da noite. Quanto aos demais dias da semana, observou-se números elevados de acidentes fatais nas noites de sextas-feiras que apresentaram índices semelhantes aos identificados nos finais de semana.

Quanto ao perfil geral das vítimas fatais em Alvorada, 79,8% eram do sexo masculino e 24 eram mulheres, sendo que 62,5% das mulheres que faleceram eram pedestres e outras 20,8% estavam na condição de passageiras de veículos, enquanto 61,1% dos homens falecidos estavam conduzindo veículos (todos os tipos, automotores ou não) no momento do acidente.

No que se refere a faixa etária das vítimas fatais, destaque para os jovens com idade entre 18 e 29 anos que concentraram 35,3% do total de óbitos, seguido dos idosos com 60 anos ou mais de idade correspondendo a 20,2% das mortes. Outras vítimas com representatividade são aquelas da faixa etária de 50 a 54 anos que tiveram 13 óbitos registrados no período analisado (10,9% do total).

Nos acidentes ocorridos, destacam-se as mortes dos ocupantes de motocicletas: foram 43 motociclistas e três caronas, sendo que 55,8% dos motociclistas falecidos eram jovens com idade entre 18 e 29 anos, havendo a predominância de homens na condução de motocicletas. Em seguida estão pedestres, estes corresponderam a 36,1% dos óbitos, destes 39,5% eram idosos com 60 anos ou mais de idade.

Já os ocupantes de veículos quatro rodas, representaram 20,2% dos óbitos: faleceram 14 condutores e dez passageiros. Quanto ao perfil dos condutores falecidos, não foi observado predominância em nenhuma faixa etária, mas os jovens com idade entre 18 e 29 anos e os condutores idosos tiveram a mesma representatividade: 28,6% do total de condutores falecidos, com 4 óbitos cada.

Ainda quanto à participação das vítimas fatais, a maioria dos motociclistas e condutores de veículos automotores falecidos era do sexo masculino. Destes 22,0% não possuíam Carteira Nacional de Habilitação (CNH), enquanto este índice foi de 14,3% em relação aos condutores. Quanto ao tempo de habilitação dos condutores e motociclistas falecidos, 46,9% dos motociclistas tinham até 5 anos de CNH.

Análise do Executivo

Segundo o secretário de Segurança e Mobilidade Urbana (SMSMU), Sergio Coutinho, a Prefeitura está trabalhando para diminuir os acidentes – principalmente nas noites dos finais de semana. “Por que final de semana? E por que estamos aumentando as baladas seguras? Porque a maioria dos acidentes acontecem por imprudência dos motoristas e questões alcoólicas”, salienta o titular da pasta.

Para o secretário da SMSMU, além das questões alcoólicas e de imprudência no trânsito, esses índices também podem ser atrelados ao número de carros que circula na cidade – houve um aumento de quase 100% desde 2010. “Nos últimos dez anos foi duplicada a frota de veículos. Quanto mais carros, é mais propenso aumentarem os acidentes”, finaliza Coutinho.

Métricas do estudo

Os diagnósticos do DETRAN/RS visam subsidiar as prefeituras para atuar com mais precisão nos problemas específicos de cada localidade. Em um primeiro momento, foram realizados estudos dos 34 municípios que integram o Gabinete de Gestão Integrada da Região Metropolitana de Porto Alegre (GGIM POA), dentro do programa RS Seguro, do Governo do Estado, e outros 16 com alto índice de acidentalidade.

Foram analisados 8.708 acidentes fatais no período de 2010 a 2019, além de um total de 62.648 acidentes com lesão e 134.317 ocorrências com danos materiais dos últimos três anos. Os diagnósticos individualizados dos 50 municípios foram encaminhados às Secretarias de Trânsito das prefeituras, oferecendo assessoria para a avaliação dos dados e desenvolvimento de intervenções de engenharia, educação ou fiscalização.

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