Quinta-Feira, 27 de Janeiro de 2022 |

Mulheres ocupam menos de 1/4 dos cargos no Executivo e Legislativo em Alvorada

Segundo estudo da União Interparlamentar o cenário se repete nas esferas Federal e Estadual

Por Redação em 26 de Novembro de 2021

"Mulheres ocupam menos de 1/4 dos cargos no Executivo e Legislativo em Alvorada" (Foto: Divulgação)


Atualmente existem quatro vereadoras eleitas pelos alvoradenses na última eleição de 2020: Neuza Machado (MDB), Oliane Santos (Cidadania), Giovana Thiago (PT) e Nadir Machado (PTB). Isso significa que, entre os nomes que tomaram posse no dia 01º de janeiro de 2021, cerca de 24% são mulheres. Contudo, duas vereadoras estão licenciadas no momento: Giovana Thiago e Neuza Machado.

Além disso, no âmbito do Legislativo, nunca houve uma presidente mulher na Câmara. No Executivo os números são semelhantes. Atualmente existem três secretárias mulheres: Neusa Abruzzi, Neuza Machado e Jocelia Wunder. Além disso, no último pleito só havia uma candidata mulher a prefeita e uma a vice-prefeita. Na história, Alvorada teve apenas Stela Farias (PT) como prefeita e nunca teve uma vice-prefeita.

Estudo

A União Interparlamentar, organização internacional responsável pela análise dos parlamentos mundiais, apresentou um estudo recentemente que trata da participação das mulheres na política. Nessa pesquisa, o Brasil ficou na 142º colocação dentre os 192 países analisados. Os dados, que foram atualizados em outubro, tem como base as eleições federais compreendidas entre 1997 e 2018.

O levantamento aponta que as mulheres brasileiras ocupam 15% das cadeiras da Câmara dos Deputados. Em valores absolutos, 161 deputadas federais foram eleitas em 2018. Já no Senado o número é ainda menor: 12,4%. Apesar da pouca representatividade, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que as mulheres representam 51,5% da população total do país.

Nas eleições municipais – algo que não conta para a pesquisa da União Parlamentar – o Brasil elegeu 898 mulheres como vereadoras. Esse número corresponde a apenas 16,51% das cadeiras legislativas. Isso sem contar que a legislação brasileira prevê, através da Lei Nº 9.504, a obrigatoriedade de 30% das vagas por partido político estarem preenchidas por mulheres.

A única prefeita mulher de Alvorada

Stela Farias iniciou sua vida em cargos públicos como vereadora de Alvorada em 1992. No mandato seguinte concorreu à Prefeitura, onde foi eleita e reeleita. Foi deputada estadual por três mandatos consecutivos e foi secretária de Administração e Recursos Humanos (SARH). Atualmente está na Assembleia Legislativa como assessora da bancada e é a primeira suplente do partido.

Em entrevista, a alvoradense falou sobre os desafios das mulheres ocuparem espaços públicos. Segundo ela, as mulheres precisam sim ocupar esses locais de poder, mas o desafio ainda é grande. Isso porque, para Stela, a sociedade não se transformou e as mulheres seguem sendo relegadas ao mundo privado e doméstico ao invés da atividade pública.

Isso acontece devido a cobrança acintosa que sofrem na política e, segundo Stela, independe dos partidos ou ideologias partidárias e é algo relacionado ao machismo ainda muito presente no ambiente político. “Mesmo com todos os avanços, os espaços públicos ainda são reservados majoritariamente aos homens”, salienta a suplente.

Como até hoje é a única prefeita, ela afirma que o processo político não é fácil para as mulheres, mas precisa ser percorrido de forma diferenciada. “Fiz toda uma caminhada com esforço, mas sem sacrifício, pois era aquilo que eu acreditava. Com certeza eu não fui eleita prefeita só por essa razão, mas eu não tenho dúvidas que me distingui dos demais e é esse o desafio”, pondera Stela.

A política veio de uma família só com irmãos e ela acredita que chegou mais preparada para ocupar os espaços ocupados em sua maioria por homens. “Eu vivi tentativas de me minimizarem no espaço de poder, mas o fato de ser forjada pela criação com meus irmãos, fez com que eu passasse por cima disso. Nunca houve problema em exercer a minha liderança e autoridade”, afirma a alvoradense.

Contudo, ainda é necessário evoluir para que mais mulheres ocupem seus espaços. “O grande desafio ao exercer o cargo é fazer isso com convicções ideológicas potentes. Isso independente do espectro político. É preciso fazer diferente do que os homens fazem, pois sempre seremos mais cobrados por isso. Sei que não é fácil fazer isso, mas é necessário mudar. Se for para fazer o mesmo, não nos serve”, finaliza Stela.

A secretária de Saúde em meio a uma pandemia

Neusa Abruzzi tem 54 anos e é professora formada em Ciências Biológicas e Pedagogia, professora pelo magistério estadual e municipal de Alvorada. Na rede estadual, lecionava na Escola Mario Quintana. Também tem uma longa trajetória na vida pública. Foi secretária de Educação (SMED) na primeira administração de José Arno Appolo do Amaral (MDB), entre 1995 e 1996.

Já em 2012 retornou como secretária de Saúde (SMS) no governo de Carlos Brum (PTB). Depois disso ainda foi coordenadora da 28º Coordenadoria Regional de Educação (CRE). Acabou retornando a administração municipal em 2017, quando assumiu novamente a SMS, onde permanece até os dias de hoje. Além disso, Neusa também é a presidente do Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

Segundo ela, nesse período nunca houve nenhum preconceito contra o seu trabalho. “Não enfrento desafios por ser mulher. Eu tenho uma ideia de que todos nós temos o seu espaço e o que vale é como se usa esse espaço. Eu não tenho problema em ser aceita por ser mulher. Eu sinto que sou uma ameaça para alguns por fazer tão bem, mas eu não faço isso sozinha”, salienta a titular da SMS.

Para a secretária, por mais que o caminho seja difícil, é importante aproveitar as oportunidades. “É preciso saber usar o espaço e se fazer respeitar como mulher. Os que convivem comigo aceitam as minhas ideias assim como eu aceito as ideias dos outros. O espaço da mulher hoje tem uma relação com o amadurecimento. Se tu tiver objetivo, credibilidade e respeito; eu acredito que não existem empecilhos”, enfatiza Neusa.

A alvoradense se recorda do início da vida pública, quando haviam menos mulheres ocupando cargos de liderança, mas afirma sempre ter sido respeitada e nunca ter sofrido algum tipo de preconceito. Tanto na administração Appolo quanto na gestão de Brum. Ela relaciona isso ao seu trabalho e acredita que a dedicação que entrega para Alvorada fez com que sua opinião sempre fosse escutada.

Além disso, ela enfatiza que o sentimento de muitos homens não está relacionado ao machismo, mas sim a outro fator. “Existe essa questão de que, quando se está em evidência, pode haver uma inveja dos homens. Só que eu acho que isso não é machismo e que eles tem de aprender que todos tem o seu espaço. Isso nunca fez com que eu me encolhesse e sim me dá forças para fazer ainda mais”, finaliza Neusa.

A vereadora com a responsabilidade da Procuradoria

Nadir Machado (PTB) tem 61 anos e é vereadora de Alvorada. A alvoradense começou sua vida política com 18 anos quando se filiou ao PDT. Em 1994 entrou para o PPS e em 2004 para o PTB. Foi eleita em 2008 pela primeira vez. Em 2012 foi reeleita vereadora. Concorreu a deputada estadual e fez 15 mil votos. Nas eleições de 2016 ficou em terceiro lugar pela Prefeitura, onde depois ocupou o cargo de secretária de Educação (SMED).

Voltou a Câmara neste ano e assumiu o protagonismo de ser a primeira procuradora da Mulher de Alvorada. Nesse espaço será possível incentivar as mulheres a adentrar na carreira em cargos públicos. “A mulher faz muita diferença na política. As procuradorias das mulheres também têm esse papel de incentivar as mulheres a adentrar na política. Existe até uma lei que trata que os 30% dos candidatos sejam mulheres”, salienta Nadir.

Segundo ela, a mulher vem sim procurando o seu espaço na política há bastante tempo, mas não há tanto quanto os homens. “Muitas mulheres dizem não gostar da política, mas eu acredito que elas precisam se posicionar e ocupar os seus espaços para reverter esse cenário onde temos poucas representantes. Hoje temos apenas quatro mulheres eleitas na Câmara entre as 17 cadeiras”, enfatiza a vereadora.

A vereadora afirma que isso se reflete nos índices da Câmara de Vereadores. Isso porque, por mais que existam quatro vereadoras eleitas, ainda é menos de 25% das cadeiras. Isso quando se analisam os 17 eleitos. Algo que não reflete com a realidade de Alvorada, já que a parlamentar afirma a população de Alvorada é formada por 51% de mulheres, sendo assim a maioria.

Um dos motivos para essa baixa representatividade é o preconceito que pode ser vivido pela mulher. Nadir diz ter passado por isso no passado. “No início eu precisei chegar com força e guerreando. Agora que eu já tenho uma trajetória de luta acabo sendo mais respeitada, mas no início sofri sim. É que hoje tenho um trabalho de respeito e eles ficam até com medo por saberem que não vou aceitar”, explica a vereadora.

Contudo, nem mesmo esses desafios fizeram com que ela desistisse do seu objetivo de ajudar Alvorada. “A mulher ainda é frágil dentro da política. Frágil e muito corajosa, pois é preciso enfrentar com força para termos o nosso espaço. Isso muitas vezes até perdendo a educação, pois o voto de um homem e de uma mulher valem o mesmo perante a sociedade”, conclui Nadir.

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