Domingo, 26 de Setembro de 2021 |

Agência Nacional de Energia Elétrica anuncia bandeira de escassez hídrica que deve impactar na conta de luz

O novo valor representa um aumento de quase 50% no bolso do contribuinte

Por Redação em 03 de Setembro de 2021

"Segundo o Ministério de Minas e Energia, a nova taxa provocará aumento de 6,78% na tarifa média dos consumidores regulados, como os residenciais" (Foto: Matheus Pfluck)


Foi anunciado na terça-feira, 31/08, a criação de uma nova bandeira para a conta de luz – medida que começa a valer a partir de 1º de setembro até 30 de abril de 2022. A medida apresentada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) se chama bandeira de escassez hídrica (taxação que não existia anteriormente) e custará R$ 14,20 por 100 kWh.

O novo valor representa um aumento de 49,6% (ou R$ 4,71) em relação à atual bandeira vermelha patamar 2 (de R$ 9,49 por 100 kWh), que estava sendo aplicada à conta de luz. No final de junho, o valor da bandeira vermelha patamar 2 já havia subido 52%. Segundo o Ministério de Minas e Energia, a nova taxa provocará aumento de 6,78% na tarifa média dos consumidores regulados, como os residenciais.

A opinião da população alvoradense

A medida, que entrou em vigor na quarta-feira, 01/09, e será sentida no bolso da população a partir do próximo mês gerou descontentamento da cidade. A reportagem do Jornal A Semana percorreu alguns bairros do município para compreender o que pensam os alvoradenses. Os bairros visitados foram Maringá, Stella Maris, Americana e Maria Regina.

O descontentamento é da totalidade da população entrevistada. Um desses alvoradenses foi Luiz Fernando Moreira, que reside no Bairro Maringá. “Cada vez aumenta mais. Está muito ruim. As contas todas aumentam e está insuportável. Tudo sobe, menos o nosso salário. Nada vem para favorecer a população. Isso tudo só nos prejudica. O nosso salário vira pó”, enfatiza o aposentado.

A opinião de Moreira é a mesma de André Flores, que reside no Bairro Stella Maris e pretende fazer bicos para poder pagar as contas. “Isso é ridículo. Estamos em uma pandemia miserável e sofrendo com tudo. Ninguém pensa na gente. O brasileiro tem que trabalhar de dia para comer de noite. O salário não muda nada, mas as contas sobem todo mês”, desabafa o alvoradense.

Poder público fará mudanças

O Jornal A Semana questionou a Prefeitura de Alvorada para saber se a administração pretende adotar medidas para redução de custos. Em nota, foi informado que já são realizadas ações para conscientizar os servidores do uso consciente de energia, tais como desligar os computadores durante o horário de almoço, caso os setores fiquem vazios durante este período.

Através de nota enviada pela assessoria de imprensa, a Câmara de Vereadores informou que já está em fase de estudo de viabilidade técnica para a implementação de energia limpa, com a instalação de placas para captação de energia solar. Segundo o Legislativo, caso isso se concretize, a sede dos parlamentares poderá ser o primeiro prédio público da cidade a adotar tal medida.

Essa medida já vinha sendo trabalhada tendo em vista as questões ambientais e ganhou força com a medida anunciada pela ANEEL. “Essa preocupação já era latente, se confirmando com a crise energética e o aumento das tarifas. Nesse sentido, prima-se pela economia trazida por esse recurso, que poderá atingir até 70% de redução no consumo de energia elétrica hoje gasta pelo legislativo municipal”, conclui a nota.

O motivo do aumento

Segundo a ANEEL publicou em seu site oficial, essa nova bandeira, intitulada escassez hídrica, foi criada por determinação da Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética (CREG) – implantado por medida provisória da União – para custear com recursos da bandeira tarifária os custos excepcionais do acionamento de usinas térmicas e da importação de energia.

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