Sbado, 04 de Dezembro de 2021 |

Desova das tartarugas faz SMAM projetar mudanças no Cocão

Muitos animais estão tentando atravessar a Avenida Frederico Dihl devido ao terreno

Por Redação em 19 de Novembro de 2021

"São cerca de 100 animais entre tartarugas e cágados que vivem no Parque" (Foto: Eduardo Porto)


Com a chegada dos meses mais quentes do ano – primavera e verão – também chega o período de desova das tartarugas tigre-d'água. Com isso, existem muitos registros em rodovias de animais que acabam sendo atropelados enquanto fazem a travessia em busca de um local para colocar os seus ovos. Apesar de Alvorada estar em uma zona urbana, esse cenário também pode ser visto por aqui.

Isso porque é comum encontrar espécies de tartarugas tigre-d'água no Parque Lagoa do Cocão. Isso já era comum antes da revitalização e ganhou força após a reforma do local. Um dos motivos é a limpeza, mas esse não é o único. Diversos animais apreendidos ou recuperados pela Secretaria de Meio Ambiente (SMAM) acabam sendo soltos nas margens do parque.

A SMAM não tem um mapeamento, mas afirma que existem em torno de 100 exemplares entre tartarugas tigre-d'água e cágados. Para quem não sabe, os primeiros vivem todo tempo dentro da água saindo apenas para desovar ou tomar sol. Já os demais são considerados semiaquáticos, aqueles que realizam parte de suas atividades dentro da água e outras fora da água.

Segundo o secretário da SMAM, Rudi Guzatti, é nessa temporada do ano que as duas espécies entram em período de desova e procuram locais adequados para fazerem o seu ninho. O problema é que não existem bancos de areia ou espaços de terras mais fofas na barranca da lagoa e, por causa disso, alguns animais acabam saindo do parque em busca de outras opções.

Com isso, elas acabam correndo riscos ao sair do parque e atravessar as vias urbanas do município. “Um dos locais em que elas vão é no outro lado da Lagoa do Cocão. Por isso nós pedimos que, caso as pessoas vejam alguma tartaruga circulando fora do Parque, pegue-as e deixe-as na beira da Lagoa. Ali ela vai decidir se quer voltar para a água ou ficar na barranca”, salienta o titular da pasta.

Questionado sobre os locais desses ninhos, Guzatti afirma que não existe um mapeamento devido aos horários em que os animais desovam – normalmente na parte da noite. Além disso, ele enfatiza que os filhotes que nascem fora do parque nem sempre retornam e que eles podem seguir cursos de arroios e córregos para o outro lado da Lagoa.

Contudo, por mais que isso aconteça, também existem animais que retornam, espécies que encontram locais para o ninho ou animais apreendidos e soltos na Lagoa. “Essas tartarugas são vendidas em pet-shops e muitas pessoas não sabem o que fazer quando elas crescem. A gente mesmo já recebeu ligações de pessoas que querem nos entregar esses animais e a gente solta eles na Lagoa”, ressalta o secretário.

Cuidados necessários

A reportagem do Jornal A Semana conversou com a bióloga Roberta Policarpo. Ela explica que as tartarugas são muito adaptadas ao meio urbano e que, por causa disso, é comum encontra-las transitando próximo as estradas. “Ao encontrar uma tartaruga ou cágado em situação de perigo próxima a rodovias, apenas a retire da estrada e a mova para um local seguro, na mesma direção que ela se encontrava”, salienta a profissional.

Já em caso de encontrar com os filhotes ou ninhos, a orientação é semelhante. “Os filhotes já nascem totalmente formados, e logo iniciarão a busca por um local seguro próximo à água. Jamais mexa ou cave próximo a ninhos, pois isso pode interferir no desenvolvimento dos ovos. Se encontrar um filhote caminhando, apenas o mova de local se ele estiver em uma situação de perigo”, explica a bióloga.

No Rio Grande do Sul, o comércio, manutenção e reprodução de tartarugas tigre-d'água está proibido desde 2015, pela Portaria SEMA n°46 de 2015. Portanto, não é possível adquirir animais legalizados ou sequer regularizar um animal de origem ilegal no estado. Além disso, abrigar ou capturar animal silvestre sem autorização dos órgãos ambientais caracteriza crime ambiental.

Roberta orienta que, caso se encontre uma tartaruga ou cágado machucados, encaminhe para instituições especializadas que saberão a melhor forma de cuidar deste animal até que seja possível sua destinação. Já caso presenciar uma tartaruga realizando postura, avise os órgãos competentes para que seja realizada uma marcação do local, para evitar que as pessoas se aproximem.

COMENTÁRIOS ( )