Quinta-Feira, 27 de Janeiro de 2022 |

Governo do Estado, CORSAN e prefeituras buscam soluções para amenizar problemas da falta de chuva no Gravataí

Estiagem vem preocupando a estatal devido aos níveis apresentados na captação de água

Por Redação em 14 de Janeiro de 2022

"Moradores questionam o método de irrigação devido ao período de estiagem" (Foto: Matheus Pfluck)


O governador em exercício Gabriel Souza (MDB) se reuniu na tarde de sexta-feira, 07/01, no Palácio Piratini, com prefeitos da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (GRANPAL) para debater a seca do rio Gravataí, que ameaça o abastecimento de água da região. O rio abastece os municípios de Alvorada, Cachoeirinha, Gravataí e Viamão, abrangendo quase 500 mil contribuintes.

No caso de Alvorada, as chuvas da última semana amenizaram os problemas. Na tarde de terça-feira, 11/01, o nível era de 1,70m – segundo boletim divulgado pela Secretaria de Meio Ambiente e Infraestrutura. (SEMA). Contudo, o presidente da CORSAN, Roberto Barbuti, falou sobre as medidas que vem tomando para atenuar o problema, como a instalação de balsas no leito do rio para facilitar o bombeamento da água.

O que pode fazer a Prefeitura?

No caso de Alvorada, a água é ofertada pela CORSAN e não pelo município, mas tem uma prática que vem preocupando os moradores. Trata-se do método utilizado pela Prefeitura para regar os canteiros centrais. Isso porque, segundo alguns moradores, a prática é excessiva e o gasto com água de forma inconsciente pode prejudicar o abastecimento da cidade.

Um dos alvoradenses que pensa isso é Marco Aurélio Silva. Para ele, a Prefeitura deveria dar o exemplo no uso consciente. “Eu acho errado. Se é no forte do verão e a gente lava o carro, eles reclamam. Daí eles podem esbanjar água desse jeito. Eu acho errado. Eles tinham que vir aqui e molhar o suficiente e não deixar ligado o dia inteiro”, enfatiza o alvoradense.

Já Jerusa Farias também afirma não achar certo o modo com que a Prefeitura vem fazendo esse processo e acredita que uma nova maneira precisa ser planejada. “Eu sou contra. A água está um absurdo e muito cara. A gente sabe que precisa da água para as plantas, mas existem lugares que está faltando. Eu acho que está sendo um desperdício do jeito que está”, salienta Jerusa.

A importância de usar a água de forma consciente também é destacada por empresários que adotaram canteiros. “É bonito embelezar a cidade, mas acho que é preciso ter cuidado com a água. A gente sabe os problemas que estamos passando. Aqui na frente eu mesmo vou ali e meto a mão nos registros. Só que a avenida é grande. Sempre que me chama a atenção eu vou ali e mexo”, pondera Bernardo Signor, da Aki Peças.

Posicionamento do Executivo

O secretário de Governo (SMG), Augusto Stromdahl, informou que a CORSAN é a responsável pela definição dos métodos utilizados no município. Segundo ele, em Alvorada existem vários produtores de arroz nas margens do rio Gravataí, que seguem as normas de captação de água do rio conforme o nível de água do mesmo, estipulado pela SEMA.

Questionado sobre o processo de irrigação, ele explicou. “Na Avenida Getúlio Vargas, a SMAM adotou o sistema de irrigação por meio de aspersores chamados de “bailarina”, os quais soltam pequenas gotículas (névoa) sobre as flores. Esse sistema permite o uso de pouca quantidade de água. A água utilizada é da CORSAN, e é somente usada quando da não ocorrência de chuvas”, afirma Stromdahl.

Quanto aos projetos de reaproveitamento das águas de chuva por parte do poder público, o secretário explicou que existe uma caixa de captação de água da calha do viveiro para usar no horto municipal. Não foram divulgados que existem novos projetos em desenvolvimento ou mudanças planejadas pela administração municipal para este ou para os próximos anos.

Ações da CORSAN

Em nota, foi informado que a CORSAN vem realizando diversas ações contingenciais e melhorias em seus sistemas integrados. A Prefeitura de Gravataí solicitou apoio ao Governo do Estado para que haja celeridade na construção de 13 minibarramentos ao longo do rio Gravataí. Além disso, é fundamental o uso responsável da água pelos usuários incluindo os irrigantes, a indústria e a população em geral.

A captação no rio Gravataí para atividade agrícola está suspensa para garantir o abastecimento público de água de Cachoeirinha, Gravataí, Alvorada e Viamão. O acordo entre a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura, a CORSAN e o Comitê Gravatahy mantêm a suspensão da captação agrícola enquanto a situação do manancial não se regularizar.

Também foram instaladas balsas na captação de água de Gravataí, o que permite que a captação seja realizada com níveis mais baixos do curso d’água. Além disso, foi realizada limpeza de vegetação acumulada junto aos equipamentos de captação de água do sistema integrado de Cachoeirinha Gravataí, no rio Gravataí, com especial atenção às condições de sucção dos equipamentos submersíveis.

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