Sbado, 04 de Dezembro de 2021 |

Mapa Cultural de Alvorada destaca os arroios do município para conscientizar a população

Ideia foi desenvolvida pelo presidente da ONG Embrião em parceria com o artista Pablito Aguiar

Por Redação em 15 de Outubro de 2021

"Arroios como o Feijó foram destacados com o objetivo de que a população seja conscientizada a cuidar desses espaços" (Foto: Arquivo A Semana)


No dia 17 de setembro ocorreu o lançamento virtual do Mapa Cultural de Alvorada. O projeto, desenvolvido pelo artista Pablito Aguiar, foi financiado pela Lei Aldir Blanc e visa catalogar os espaços culturais do município. Contudo, não foram apenas estes lugares que tiveram sua história eternizada pelo quadrinista. Isso porque, em uma parceria com a ONG Embrião, os arroios também foram apresentados no mapa.

Ao todo, foram impressos quatro mil mapas em A4 e 100 mapas em A3. Eles ficaram disponíveis na Biblioteca Luís Fernando Veríssimo e foram entregues nas escolas públicas de Alvorada. A ideia é que ele seja utilizado como material pedagógico dentro das salas de aula. Isso sem contar dos 1.5 mil exemplares que foram distribuídos pelo Jornal A Semana.

Com isso, além da comunidade conhecer espaços culturais e históricos como o Casarão dos Maltas, Lagoa do Cocão, Hipódromo, Capela Santo Onofre e Pedra da Santa Cruz; também é possível visualizar os arroios do município. São eles: Arroio Feijó, Arroio Passo da Figueira, Arroio Zero-Hora, Arroio Nunes, Arroio São João e Arroio Águas Belas – todos que percorrem a cidade.

Segundo o artista, sempre houve a vontade de inserir os arroios. “O meu pai, Josué Aguiar; e a minha mãe, Janete Soares; me contaram que na época em que davam aulas sobre educação ambiental nas escolas do município esse era um material pedagógico que sentiam muita falta. Para mostrar para as crianças onde ficavam os arroios da nossa cidade, eles precisavam desenhar sobre mapas antigos de Alvorada”, fala Pablito.

Isso porque ele acredita que a presença dos arroios no mapa também fará com que as pessoas entendam a importância da preservação. “São os arroios da nossa cidade que nos dão a água que bebemos, esse bem tão fundamental para nossa vida e para a vida de todos os animais. Com os nossos arroios poluídos ou secos cada vez mais, todos corremos graves riscos de saúde”, conclui o idealizador do projeto.

ONG Embrião

Para aperfeiçoar o projeto do Mapa Cultural de Alvorada com os arroios, a ideia foi utilizar o conhecimento de Josué Aguiar. Além de ser o pai de Pablito, o alvoradense também é o presidente da ONG Embrião, que desenvolve projetos voltados para a sustentabilidade e a conscientização dos cuidados com o meio ambiente nas escolas de Alvorada e região metropolitana.

Ele explica de onde veio a ideia de sugerir a inserção dos arroios. “Como presidente da ONG Embrião tive a proposta de não valorizar apenas o patrimônio cultural, mas também o ambiental. Isso porque também temos de preservar esses recursos. A gente sempre trabalhou isso nas escolas e a gente usava os mapas da cidade para mostrar os arroios que ainda existem. A proposta é a preservação ambiental”, relata Aguiar.

Para o ambientalista, é de suma importância que mais pessoas tenham ciência da realidade do município. “Por nome as pessoas conhecem somente o Arroio Feijó, mas também existem arroios como o Nunes, que está no Algarve; o Águas Belas, que vem de Viamão; o São João, que atravessa a cidade e desemboca no Gravataí. Também existem valões, mas isso porque a cidade não trata o esgoto da população”, conta o presidente.

Visando a conscientização e apresentação dos arroios para a população – principalmente para as crianças em idade escolar – é que o projeto saiu com os arroios. A ideia agora é conseguir desenvolver trabalhos com as crianças dentro das salas de aula. Essas aulas seriam tanto abordando aspectos históricos como também ambientais e de sustentabilidade.

Segundo o presidente da ONG, isso é de suma importância para mudar o cenário atual desses arroios. “Hoje é degradante. Eu sou testemunho disso porque antigamente eu pescava e tomava banho nesses arroios. Hoje a gente tem medo de passar e ir para o Hospital. É triste porque a gente vê o retrato da cidade nos arroios. É ali que está o negativo do povo do nosso município e as crianças precisam saber disso”, conclui Aguiar.

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