Domingo, 26 de Setembro de 2021 |

Museu Baldio leva arte, inclusão e experimentos de bioconstrução social à Casa de Cultura Mario Quintana

Museu Baldio leva arte, inclusão e experimentos de bioconstrução social à Casa de Cultura Mario Quintana

Por Redação em 20 de Agosto de 2021

"A exposição ficará no Espaço Maria Lídia Magliani até o dia 31 de agosto" (Foto: Divulgação)


O coletivo idealizado por Marcelo Chardosim desenvolve ações transversais entre arte, sustentabilidade, soluções ambientais e de inclusão social, em áreas degradadas e vulneráveis de Alvorada. As experiências artísticas construídas nos locais ocupados pelo Museu Baldio surpreendem pelo apelo estético na mostra coletiva de bioconstrução, cerâmica, processo têxtil, trabalhos impressos, fotos e videoclipes gravados na cidade.

O Museu Baldio é um espaço vivo, comunitário, a céu aberto e expandido. “É um museu da arte de produzir memórias, cuidar da terra, preservar e fazer culturas, experimentar espaços vivos com arte, fuga, poesia, convivência, cura, reencantamento, pesquisa e bioconstrução social”, explica Marcelo Chardosim na apresentação da exposição, que fica na Casa de Cultura Mário Quintana até 31 de agosto.

O organizador da exposição relata que a iniciativa deu os primeiros passos em 2015, a partir da necessidade de recuperar uma área de 200 hectares, degradada ao longo dos anos por desmatamento, erosão e depósito clandestino de lixo. A ocupação com ações de arte, educação, lazer, esporte e reflorestamento vem restabelecendo o ecossistema, que abriga as nascentes do Arroio Stella Maris e do Arroio Feijó.

Nascia assim, a partir da mobilização comunitária e da intervenção artística, o Parque da Solidariedade. No horizonte das intervenções comunitárias, o projeto vislumbra a oficialização do terreno como ecogeoparque. As ações do Museu Baldio já se ramificaram pelo Espaço Umbuntu, na comunidade do Umbu, e no Beco das Artes, ocupação cultural do espaço público em outra comunidade carente de Alvorada.

Segundo Chardosim, essa exposição visa mostrar as possibilidades de se ocupar novos espaços. “Os artistas baldios trabalham ética e criticamente entre águas, terras, ruas, terrenos baldios, becos, aplicativos, hortas, paradas de ônibus, calçadas, lixo, pátios, postes, canteiros, bares, internet, jardins, florestas, vagas, instituições públicas, organizações, áreas poluídas, degradadas e vossorocadas”, ilustra o artista.

Badlands e Bossorocas

As Bossorocas são processos de erosão de terras degradadas, que formam pequenos cânions na paisagem do Parque da Solidariedade. A analogia entre badlands e Alvorada, esclarece Chardosim, trata da relação entre as características do solo e os índices sociais de Alvorada. De acordo com diagnósticos do SINESP e do IPEA, de 2015 a 2019, Alvorada é a cidade da região sul do País que apresenta os piores índices sociais.

A cidade não possui museu, teatro ou cinema e o artista acredita que isso seria importante para o município. “A proposta expandida do Museu Baldio contempla o futuro, atento às urgências do agora, não apenas interessado na inclusão e representação, mas em desenvolver alternativas que ainda não vivemos, ou não alcançamos, caso existam”, salienta o alvoradense.

Para ele, com o desenvolvimento de espaços culturais e sociais seria possível alavancar o desenvolvimento da cidade. “As aproximações entre pessoas, culturas, espaços e memórias criam movimentos, redes afetivas, terrenos da humanidade, iniciados nas nascentes, dentro e fora da terra, nas pessoas que fazem do impossível a reconstrução de um mapa”, finaliza Chardosim.

Serviço

A Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ – Andradas, 736 – Centro Histórico de Porto Alegre) está trabalhando com a exposição Museu Baldio. A mostra, que reúne obras sustentáveis de mais de 50 artistas gaúchos e de outros estados do País, ocupa o Espaço Maria Lídia Magliani, junto ao Jardim Lutzenberger. Segundo a programação da instituição, o trabalho ficará disponível até o final de agosto.

COMENTÁRIOS ( )