Quinta-Feira, 27 de Janeiro de 2022 |

ONG Umbuntu e o trabalho sustentável desenvolvido com as crianças da periferia do município

Projeto desenvolvido por Eduardo Fortes, em parceria com voluntários, visa mudar a realidade do Bairro Umbu

Por Redação em 17 de Dezembro de 2021

"A ONG fica localizada na Rua 48, no Bairro Umbu, e atende dezenas de moradores da região" (Foto: Guilherme Wunder)


Durante a pandemia, muitos alvoradenses perderam seu emprego e renda. Isso fez com que muitos precisassem se reinventar nesse período. Mas e quem já vive na periferia e passa por dificuldades todos os meses? É o caso de moradores de zonas periféricas de Alvorada e que vivem de reciclagem. Isso porque, com a redução da economia, também houve a da reciclagem, que impactou diretamente essa classe.

Quem conta essa realidade é Eduardo Fortes, presidente da ONG Umbuntu, que atende dezenas de famílias no Bairro Umbu desde março de 2020. O empresário é fundador da Escola de Idiomas Change e, com o início da pandemia, sofreu com a redução do número de alunos – de 100 para 30 atendidos. Isso fez com que ele pegasse o tempo livre e tentasse ajudar famílias que precisavam de um auxílio durante esse período.

Com uma rede de amigos e contatos, foi criada a ONG Umbuntu. No início, o objetivo era arrecadar alimentos e doar cestas básicas para famílias carentes. Cerca de 200 famílias eram beneficiadas todos os meses, mas o objetivo era maior. “Muitas pessoas que a gente procurava para doar as cestas básicas nos diziam que aceitavam o alimento, mas queriam realmente o trabalho”, salienta Fortes.

Essa vontade de trabalhar com as próprias pernas fez com que esse grupo de amigos comprasse dois terrenos na Rua 48, no Bairro Umbu, em julho do ano passado. A ideia era poder ter uma sede para o projeto e desenvolver programas sociais. Além disso, uma horta comunitária seria desenvolvida para levar alimento para a comunidade. Para isso, a sociedade foi envolvida desde o início.

A primeira experiência de parceria foi com as bioconstruções que a ONG se propôs a fazer no local. “A garrafa pet tem um valor econômico, mas a garrafa de vidro não. Então nós começamos a comprar das crianças essas garrafas de vidro por um real. Isso fez com que diminuísse o lixo e gerasse renda para os moradores da nossa região. Essas garrafas servem para embelezamento e economia de energia elétrica”, enfatiza.

Fortes explica que a única experiência que eles tinham com esse modelo de construção foi uma formação de três horas em Maquiné. Desde então, a ONG conta com cinco terrenos. Nesse espaço estão construídos um galpão, uma cozinha, um banheiro ecológico e um galinheiro. Além disso, existem hortas comunitárias e já há o projeto para uma nova estrutura para guardar brinquedos.

Trabalhos com as crianças

Enquanto a reportagem estava no local, crianças atendidas pela ONG se alimentavam. Uma delas contou como conheceu o projeto. “A primeira vez que a gente se viu foi ali no campinho. Daí a gente começou a fazer as cercas e horta. Nós pegamos areia, argila e as garrafas para fazer a obra. Nós fizemos o galpão com uma tinta não tóxica. Isso fez com que as crianças pudessem pintar o galpão”, fala Rhayssa de Oliveira, sete anos.

Esse envolvimento com as crianças é muito importante para o presidente da ONG. Isso porque é através desse trabalho que a realidade delas pode ser alterada. Hoje são cerca de 50 crianças atendidas – além de adolescentes e adultos. Lá elas recebem alimentação, aprendem profissões e recebem aulas. Muitas dessas atividades são promovidas no galpão multiuso.

É lá que, por exemplo, são ofertadas aulas de inglês duas vezes na semana para os alunos de sexto ao nono ano. Para o ano que vem, a ideia é ampliar para aulas de percussão e capoeira. Além disso, devido ao espaço, também se trabalha com a ideia de atividades culturais, como a exposição de artistas plásticos da região. Assim seria possível valorizar a cultura local.

A ideia da capoeira deve ganhar força. Isso porque já existem crianças alçando voos maiores. “Nós matriculamos dois dos nossos alunos na SOGIPA. Eles fizeram uma aula experimental lá e já estão há dois meses estudando. Nós estamos pagando para eles treinarem até o final do ano. A ideia é que eles se preparem para a peneira de fevereiro e consigam entrar na equipe”, relata presidente da ONG.

Moeda própria e economia local

Contudo, no decorrer do tempo, mudanças ocorreram. Isso porque a ideia de geração de renda planejada não saiu conforme o esperado. “A gente começou com o projeto de geração de renda. Nós pagávamos R$ 1 por bloco e investíamos na mão-de-obra. No início foi muito legal e esse dinheiro ficou dentro da comunidade. Só que, depois de alguns meses, muito do dinheiro era gasto em festas e bebida alcóolica”, conta.

Por causa disso, a ONG optou por reformular a economia da região. “Nós paramos de pagar em dinheiro e criamos a nossa própria moeda. A partir de agora, quem está com fome vem trabalhar. No final da semana a gente calcula quanto foi trabalhado e eles compram aqui em alimentos e roupas. Isso tornou o processo mais digno para todos”, explica o presidente.

Segundo ele, essas mudanças foram vistas com bons olhos pela comunidade. Muitos moradores começaram a trabalhar e fazer suas compras no final de semana e isso foi visto nas crianças mais bem alimentadas. Além disso, o sentimento de gratidão é maior e, tanto as crianças quanto os adultos, se sentem emocionados em poder trabalhar e fazer suas compras de forma digna.

Vinda de recursos e importância das doações

Como visto até aqui, o investimento é grande em mão-de-obra e na compra dos cinco terrenos. O presidente da ONG explica que tudo isso só foi possível graças a rede de doações de amigos do Brasil e da Alemanha – sua esposa é alemã e ele morou no país por dez anos. Isso fez com que o investimento no terreno, infraestrutura e até a compra de uma kombi fosse possível.

Quem quiser ajudar, a ONG está atrás de recursos e equipamentos industriais para a cozinha. Além disso, também existe a necessidade de outros materiais para bioconstruções. Quem tiver o interesse de ajudar pode entrar em contato com a ONG Umbuntu através das redes sociais da entidade ou pelo WhatsApp do presidente Eduardo: (051) 98926.2580.

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