Quinta-Feira, 27 de Janeiro de 2022 |

Prefeitura afirma que hortas comunitárias e praças instaladas nas margens do Arroio Feijó não serão retiradas

Somente as edificações precisarão sair do local possibilitando o acesso da draga e prevenção das cheias

Por Redação em 03 de Dezembro de 2021

"As praças que já foram pauta do Jornal A Semana em janeiro deste ano serão mantidas" (Foto: Maninho Melo)


Nas últimas semanas, as redes sociais foram tomadas de relatos de moradores do Bairro Americana. O que motivou isso foi um ofício entregue aos que residem às margens do Arroio Feijó. Isso porque o documento informava a comunidade de que as praças e hortas comunitárias construídas e conservadas pela população precisariam ser retiradas em até 15 dias – a notificação era de 23 de novembro.

No ofício, assinado pela Secretaria de Planejamento Urbano e Habitação (SPH) e pela Defesa Civil estava informado que o motivo era a revitalização da área. Contudo, muitos moradores afirmam que essa revitalização não tem previsão de sair e que, após muitos trabalhos para cuidar do local, a Prefeitura quer prejudicar a comunidade e isso pode acarretar no retorno dos focos de lixo na região.

Um dos prejudicados pela decisão é Maninho Melo, que fez uma horta comunitária na região. Ele explica como foi receber a notícia. “Eu fiquei indignado. Há muitos anos a gente pede para arrumarem e cuidarem das margens do Arroio. Quando a gente resolve cuidar e plantar para usar a terra, eles fazem isso. Sem falar que trabalhar com o cuidado é uma terapia. Muitos vizinhos usufruem da nossa horta”, conta o alvoradense.

Já Giovane Gomes foi o responsável por construir uma praça para as crianças e afirma que não vai retirar a estrutura. “Olha, o sentimento e de impotência, pois minha filha e mais uns dez amiguinhos ficam todos os dias brincando ali e agora essa notícia de que vão tirar. É duro ne?! Construí tudo aquilo sozinho, sem ajuda de ninguém. Era um lugar onde todo mundo só botava lixo”, desabafa o morador.

A justificativa que teria sido apresentada tratava da revitalização do espaço. Segundo ele, não foi dada uma data de quando a Prefeitura vai comparecer no local para fazer a retirada da estrutura construída. "Vou lar bem a verdade: não vou tirar, pois estou fazendo uma coisa que era para eles fazer e a pedido da minha filha Júlia. Não vou tirar vou fazer de tudo para isso”, finaliza Gomes.

Respostas do Executivo

A reportagem do Jornal A Semana conversou com o secretário de Planejamento Urbano e Habitação (SPH), Eder Fraga, que explicou o mal entendido. “Foi uma solicitação da Defesa Civil referente a construção de baias de cavalos e galinheiros no Arroio Feijó. Não se trata das questões das pracinhas e das hortas comunitárias. Se foi entregue alguma notificação neste sentido, foi um equívoco da patrulha”, salienta o titular da pasta.

Segundo ele, somente as edificações vão precisar ser retiradas por questões legais e também para o serviço de prevenção as cheias. “As baias de cavalo impossibilitam que a draga entre no Arroio. Não pode haver edificações nas margens dos arroios. As pracinhas e as hortas até nos ajudam na questão da limpeza e nós não vamos nos opor e nem retirar esses projetos. Só as edificações precisam ser retiradas”, conclui Fraga.

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