Sbado, 04 de Dezembro de 2021 |

Comunidade de surdos pede criação de centros de intérpretes de Libras na Capital e interior

Audiência promovida pela Assembleia Legislativa contou com a participação da população alvoradense

Por Redação em 05 de Novembro de 2021

"Com formato virtual, foi possível a participação de diversos líderes de associações de surdos – dentre elas esteve Alvorada" (Foto: Reprodução)


A Comissão de Cidadania e Direitos Humanos ouviu, em audiência pública, entidades e lideranças da comunidade de surdos que reivindicam a instalação de Centros de Intérpretes de Libras (CIL) com profissionais certificados. O Estado não dispõe de centros para o acesso aos serviços públicos e Porto Alegre também não disponibiliza pessoal habilitado para atender pessoas com deficiência auditiva.

Conduzida pela deputada Sofia Cavedon (PT), a audiência demandou a contratação da intérprete de Libras, uma vez que a Mesa Diretora não disponibilizou. Nos encaminhamentos, além de solicitação à Mesa da Assembleia para que contrate esses profissionais, também constou o envio de documento à FAMURS e aos 497 municípios gaúchos para que adotem com urgência os Centros de Intérpretes de Libras.

Com formato virtual, foi possível a participação de diversos líderes de associações de surdos tanto de Porto Alegre quanto de Alvorada, Viamão, Bento Gonçalves, Uruguaiana, Caxias do Sul e Pelotas. Os ativistas dos direitos da comunidade surda reivindicam acessos aos bens e serviços públicos, como saúde e segurança, com a garantia da presença dos intérpretes de Libras para capacitá-los à plenitude.

Serviços restritos

A secretária da Associação de Surdos de Alvorada, Izabel Cristina, tem atuado na linha de frente dos espaços públicos para conseguir acesso aos serviços, até mesmo com algumas brigas, como afirmou. “Temos que cobrar o tempo todo, eles mostram um serviço bonito, mas na prática tem falhas”, disse Izabel, como foi o caso de uma substituição de intérprete que demorou quatro meses para ser substituído.

Também foi relatado o fato de que o serviço da Central de Intérprete de Libras de Alvorada funciona de segunda a sexta-feira, em horário de expediente, quando há registros de mulheres surdas que enfrentam situação de violência doméstica e não denunciaram pela falta de espaço adequado. Para isso é preciso atendimento pleno, reivindicando o serviço 24 horas e também nos finais de semana.

Pela FADERGS, a coordenadora de Acessibilidade, Aline Monteiro, concordou que é preciso ampliar os horários de atendimento, referindo-se às centrais que funcionam em Alvorada e Horizontina. Disse que anotou os pedidos de ajustes para melhorias nas centrais que a FADERGS acompanha, antecipando que a Fundação vai realizar concurso público para preencher duas vagas de intérpretes de Libras no estado.

Cristina Laguna, do IFRS – Campus Alvorada, que coordena o curso técnico de interpretação de Libras, lamentou que os avanços legais não se refletem no cotidiano da população surda, uma vez que a lei determina a presença dos intérpretes em cada uma das secretarias e órgãos públicos, conforme consta no Decreto 5626, no artigo 26 – algo que não ocorre.

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