Sexta-Feira, 23 de Julho de 2021 |

Poderes públicos e entidades civis se mobilizam em audiência pública contra o pedágio na ERS-118

Evento realizado na Câmara de Vereadores contou com o secretário extraordinário de Parcerias Leonardo Busatto

Por Redação em 02 de Julho de 2021

"Audiência foi realizada na Câmara de Vereadores, após a sessão ordinária" (Foto: Guilherme Wunder)


Nas últimas as entidades civis e poderes constituídos de Alvorada estavam se mobilizando para lutar pela retirada do possível pedágio na ERS-118, entre Gravataí e Viamão. Prefeitura, Câmara de Vereadores, ACIAL, OAB e outras instituições se posicionaram contrárias ao anúncio do governador Eduardo Leite (PSDB) e realizaram na terça-feira, 29/06, uma audiência pública.

No encontro, que contou com a presença de diversas lideranças regionais representando municípios como Gravataí, Cachoeirinha, Guaíba e Viamão; foram debatidas alternativas sobre a concessão da rodovia. Além do prefeito José Arno Appolo do Amaral (MDB) e do presidente Cristiano Schumacher (PTB), estavam presentes os vereadores e secretários de governo.

Os ex-prefeitos Carlos Brum (PTB) e Sergio Bertoldi (PT) também se fizeram presentes ao lado de representantes da ACIAL e da OAB – além de empresários independentes. O presidente da FAMURS, Maneco Hassen (PT) também foi uma autoridade da audiência. Quem representou o Estado no evento foi o secretário extraordinário de Parcerias Leonardo Busatto.

Todos os políticos e representantes da sociedade civil alvoradense foram contrários a decisão de se instalar o pedágio no local sugerido pelo plano de concessões do Estado (km 22,6 da ERS-118). Segundo a maioria dos relatos, esse projeto prejudica o desenvolvimento econômico de Alvorada, que teria se tornado atrativo após a mudança do pedágio da Freeway e sairia prejudicada com esse novo pedágio.

Em sua fala, o prefeito deixou claro sua contrariedade ao pedágio que prejudique Alvorada e informou que fará o possível para evitar essa instalação. “Se for colocado aonde estão dizendo e onde tenha certeza de que não colocar, o Estado irá cometer um crime hediondo contra o nosso município. isso só vai prejudicar o desenvolvimento que buscamos e queremos”, salienta Appolo.

O presidente da FAMURS afirmou que o problema que Alvorada enfrenta é semelhante ao que outros municípios também relatam. “O projeto até agora apresentado ainda não observou as características e peculiaridades das cidades onde teremos as praças. O que vimos nas audiências são questões parecidas com as encontradas aqui, quando se fala em pedágio dentro de zona urbana ou que já sofrem com os pedágios”, conta Maneco.

Posicionamento do Estado

Durante sua explanação, o secretário extraordinário de Parcerias, Leonardo Busatto, explicou que existe a proposta para conceder a iniciativa privada – através de PPP – a ERS-118 por 30 anos. Segundo ele, assim seria possível duplicar a rodovia com o aporte financeiro da iniciativa privada e, através do pedágio, a empresa conseguiria arcar com os gastos de manutenção, duplicação, sinalização e outros investimentos.

Durante a audiência pública, Busatto apresentou quatro propostas para esse projeto: não ter praça de pedágio, ter a praça do pedágio no KM 22,6, colocar ela em Gravataí (no trecho já duplicado) ou colocar em Viamão (depois de Alvorada). Contudo, todas essas alternativas têm seus prós e contras, como valor da tarifa e tempo que as obras demorariam para serem concluídas.

Questionado sobre a retirada do plano de concessão, o secretário explicou os riscos existentes. “Não ter praça de pedágio significa não ter concessão e reforço que isso pode ser uma alternativa para a região. Contudo, isso significa continuar no estado que ela está hoje. Ela permanecerá sob responsabilidade do DAER e essa é uma alternativa, mas não podemos garantir investimentos na ERS-118”, ressalta Busatto.

Dentre as opções apresentadas, Busatto acredita que essa é a melhor opção. Isso porque, colocando em Viamão, o fluxo seria menor e isso aumentaria os prazos de obra e subiria os valores cobrados. Sobre colocar em Gravataí, que é uma opção, também existe outro debate. “É uma alternativa mais justa para Alvorada? Talvez sim, mas existe um movimento que afirma que a população pagaria duas vezes”, confessa o secretário.

Encerramento

Os vereadores de cidades vizinhas, ex-prefeitos e representantes da sociedade civil também se manifestaram. Após todas as explanações foi informado que o debate deve seguir nas próximas semanas. A ideia é que novas audiências nos próximos dias para que o município possa debater entre as alternativas existentes e chegar em um consenso, que deve ser apresentado ao Estado.

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