Sbado, 31 de Julho de 2021 |

Mães reclamam falta de neuropediatra para atendimento a crianças com TEA em Alvorada

Entretanto, secretária de Saúde afirma que atendimentos estão sendo realizados pelo Estado em Porto Alegre

Por Redação em 04 de Junho de 2021


Desde o inicio deste ano Alvorada não conta com um neuropediatra após o profissional ter pedido exoneração do cargo. Sem o atendimento fornecido pela rede pública, as consultas estão sendo realizadas ao menos de duas formas: em Porto Alegre, por meio de encaminhamento de Alvorada ao Estado; ou com consultas particulares pagas pelos familiares, que muitas vezes sem condições, arcam com os gastos.

Um neuropediatra ou neurologista infantil é o médico que acompanha o desenvolvimento neurológico das crianças, avaliando todo o sistema nervoso. O profissional atua a partir da análise das aquisições motoras, cognitivas e de linguagem da criança ao longo do seu desenvolvimento.

Atendimentos na Capital

Ao menos quatro mães de crianças portadoras de Transtorno do Espectro Autista (TEA) relataram estar enfrentando problemas para o tratamento de seus filhos que, estão sendo realizados em Porto Alegre, por meio do Estado. Um dos casos acontece com Bernardo Neves Caetano, 10 anos, que foi diagnosticado com autismo moderado.

A mãe Ariadne Oliveira Neves, conta que desde janeiro deste ano não tinha consulta com um profissional e que somente no dia 26 de maio pôde novamente ter algum acompanhamento com um neuropediatra no Hospital Presidente Vargas em Porto Alegre. “Fui encaminhada pela médica do município para a fila do estado. Recebi uma ligação do município dizendo que minha consulta já havia sido marcada. A expectativa era de 56 dias de espera pelo site do estado, mas esperei apenas 18 dias. Preciso ser justa. Com certeza devem ter casos de pessoas ainda esperando muito”, fala.

No entanto, Ariadne avalia que seria de suma importância que Alvorada contasse novamente com este profissional. “Nenhum outro especialista tem o conhecimento de checar a medicação, alterar dosagens, encaminhar exames necessários uma vez que o autismo geralmente vem acompanhado de outras comorbidades e no auxílio aos pais em como conduzir seu filho diante de diversas possíveis emergências médicas”, fala.

Magda Pereira Valentim também passa pelo mesmo problema de Ariadne, pois sua filha Maria Alice Pereira Nunes, 7 anos, está sendo atendida no Hospital Nossa Senhora da Conceição também na Capital. Ela foi diagnosticada com autismo, epilepsia, retardado mental, hiperatividade, transtorno do sono, com muita dificuldade de fala e aprendizado.

A mãe conta que a menina tinha o acompanhamento do neuropediatra até janeiro deste ano e que desde lá está tendo que se deslocar para Porto Alegre. “É muito longe, um estresse ir com ela. Ela se desorganiza, fica estressada demais. Fora que estou pagando Uber por conta da pandemia tenho medo da contaminação nos ônibus por ela não parar quieta. Ela chora não consigo nem ouvir o médico. Foge. Está bem complicado”, reclama.

Até o momento a menina já teve duas consultas em abril. “Minha filha é uma criança que é vista como caso grave, ela necessita muito de uma neuro, fiquei até desnorteada com essa situação, fiquei desesperada sinceramente!”, relata.

Consulta particular

Já Silvane de Lara explica que sua filha Mariana de Lara Dalenogare, diagnosticada com síndrome de Asperger, deficit de atenção e transtorno opositor, teria a segunda consulta com um neuropediatra em Alvorada, mas pagou por um particular. “Teria a segunda consulta com a neuropediatra agora em 15 de junho, mas até agora ninguém entrou em contato para sabermos se foi reagendada, se mudou o local, data então já procurou especialista pelo plano de saúde porque soube através de outras mães que não aconteceria a consulta”, relata.

Aguardando ser chamada

Sabrina Bossa Antonini mãe de Gael Antonini Marteganha, quatro anos, com autismo leve, conta que até o momento não foi informada pela SMS sobre a situação da consulta do seu filho marcada para julho e que aguarda ser chamada para o atendimento. “Não, eu ainda tenho uma consulta marcada para julho com a neuropediatra em Alvorada (que seria a Dra Débora) eles ainda não me ligaram para desmarcar”, afirma.

No entanto ela imagina como será caso tenha que ir até Porto Alegre. “Eu não consigo carregar meu filho de 28 kg no colo quando ele está tendo uma crise, imagina que meu filho não consegue ficar parado e esperar um ônibus. Ele se joga no chão, chuta e dá socos, belisca e arranha, e tenho que conter ele, ele grita e pede "socorro me ajudem", imagina passar por isso tudo em corredor de ônibus em Porto Alegre?”, fala.

Secretaria de Saúde

Procurada, a secretária de Saúde, Neusa Abruzzi, informou que todos que pediram encaminhamento pela SMS foram encaminhados ao Gerenciamento de Consultas (GERCON) para que o Estado marcasse as mesmas. “Estamos com dificuldade de contratar um neuropediatra. Está bem difícil neste momento eles estão ganhando mais em hospitais. Estou com um contrato emergencial para médico e não estou conseguindo por conta do valor, fiz até pregão eletrônico para que empresas coloquem seu preço e não estão conseguindo. Já estamos na terceira colocada porque não tem médicos. Eles estão indo para os hospitais que pagam muito mais”, lembra.

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