Tera-Feira, 17 de Maio de 2022 |

Opinião

País que chora pelo futebol, jamais chorará pela educação

Por Rubens Melo Jornalista e Psicólogo em 14 de Dezembro de 2012


Eu não poderia deixar de escrever algo que pudesse expressar a minha surpresa de um simples cidadão que olha pessoas de nomes e sobrenomes importantes chorarem pelo futebol, embora sejamos culturalmente conhecidos como o País do Futebol. Tenho a nítida convicção que o País que chora pelo futebol jamais chorará pela educação.
Mirando o cenário contemporâneo podemos afirmar que a economia está avançando, mas as nossas crianças e adolescentes de escolas públicas estão à deriva: escolas sucateadas em todos os sentidos. Os alunos tem a lousa como material pedagógico e os professores também. Ambos são reféns do sistema.
Sabe-se que uma coisa não substitui a outra, pelo menos nos Países ditos desenvolvidos. Por lá, se chora pelas duas coisas. Aqui, no entanto, chora-se pelo futebol. Apenas uma observação que nos questiona, que nos tira do sério. Mas a copa do mundo está chegando. Precisamos, como sabemos de um Dream soccer que começou com um mega treinador que detonou os funcionários do Banco do Brasil. Mais um fato que demonstra o desconhecimento dos ricos do futebol em relação ao seu País. Paga-se horrores de dinheiro por um jogador, e paga-se um horror de salário baixo para um professor, ambos começam com a letra P. Que País é este?
Dando continuidade na reflexão sobre o País das lagrimas do futebol, vislumbramos um cenário de ruas esburacadas, escasso transporte urbano, arroio dilúvio transbordando de lixo e a saúde doente. Este conjunto nos remete a falta de políticas públicas. O futebol anda de bem com a vida e os jogadores se destacam no exterior. Basta. O resto vai se levando do jeito que der. É como disse o cantor e compositor, Zé Geraldo, em sua música, Milho aos Pombos: se vem alguém querendo concertar, pega esse idiota e enterra.
O importante é erradicar a reprovação para subirmos no topo da classificação internacional. Não precisamos de uma escola com quadra de vôlei, basquete, ginástica olímpica, natação, rendebol entre outros. Isso não é esporte e não é educação. Futebol é tudo isso e um pouco mais.
Pessoas como eu e você, que está lendo este texto simples, sem português rebuscado ou citações filosóficas, é uma ilha, uma espécie de ET que pensa no Brasil e na sua soberana nação de crianças e jovens que daqui a 10 anos não terá nada a comemorar, a não ser o título adquirido pelos nossos heróis do futebol.
Em tempos idos já se falava e cantava por um País melhor, na música de Belchior. Eu sou apenas um rapaz Latino-Americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior.
Saiba que eu não sou contra o futebol, pelo contrário, quem me conhece sabe disso. Expresso aqui a minha vontade que é, certamente, de tantos outros brasileiros e as brasileiras: ver o País investir de fato nos seus cidadãos. Isso implica a educação, a nossa saúde doente, as nossas ruas e estradas, nas vilas e favelas; um novo olhar de quem ama este Brasil.

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