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Opinião

Crise: Um fenômeno recorrente

Por Redação em 16 de Maio de 2014


Já diziam os mais antigos ‘é melhor prevenir do que remediar’. Entretanto, quando falamos de crises no mundo corporativo, as origens e causas das mesmas podem estar fora do controle das empresas, sem chances de prevenção.
Crise é um fenômeno absolutamente democrático, pois surge na vida de qualquer empresa. Um exemplo atual é a situação que passa o setor automotivo, com vendas em baixa e exportações em queda. Reputações são conquistadas ou perdidas em uma crise, dependendo da forma como ela é encarada.
Em uma empresa há valiosos ativos, como sua imagem e força de trabalho, e uma crise certamente irá colocá-los em risco. Por isso é preciso encará-la de frente. Toda crise tem um dono e, às vezes, somente ele sabe seu tamanho e porque surgiu. Mais que isso, ele não deve expandir suas dificuldades, mas sim controlá-la.
A crise tem um custo, tangível e intangível, que deverá ser pago. A tentativa de regatear poderá aumentar o prejuízo, atual ou futuro. Um líder responsável precisa saber exatamente para onde vai quando a crise estiver resolvida. Ele precisa representar a imagem da tranquilidade na solução e no encaminhamento de ações corretivas, ágeis, consistentes e coerentes.
A análise de suas dimensões, abrangência, profundidade e extensão são fundamentais para se calibrar as ações corretivas. Exagerar ou subestimar os efeitos de uma crise pode ser tão ou mais danoso quanto à própria crise. Quando pessoas são atingidas por uma crise, ampliar seus efeitos poderá anular investimentos, sejam sociais ou econômicos, difíceis de serem recuperados, e reduzi-los pode requerer novas ações, com efeitos mais desastrosos. A forma como conduzir a aplicação das soluções assume importância igualmente relevante no processo, especialmente quando parte das soluções de uma crise impacta diretamente na estabilidade e na segurança das pessoas. Neste caso, a dignidade e o respeito são fatores prevalecentes a serem observados.
Critérios justos, informações precisas e confiáveis, comunicação direta aberta e transparente, respeito às reações e agilidade nos processos de desligamento são fatores essenciais e formas inequívocas de demonstração de dignidade e respeito para com as pessoas envolvidas. Na prática, a solução para uma crise passa, necessariamente, pela capacitação e comprometimento das lideranças no processo.
A preocupação não se esgota com aqueles que deixarão de pertencer à empresa e inclui também os colaboradores que ficam, pois estes continuarão observando as atitudes da empresa e o comportamento das lideranças, imaginando a sobrecarga de trabalho resultante de demissões e a forma como serão tratados em situação semelhante, se e quando isso ocorrer.
Além de garantir a boa reputação e preservar os ativos de uma empresa, a gestão de uma crise é sempre uma excelente oportunidade de aprendizado e crescimento para as mesmas. Depende apenas da forma como será encarada.

Heli Gonçalves Moreira
Especialista em projetos de consultoria e treinamento nas áreas de Relações Trabalhistas e Sindicais

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