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Opinião

Dinheiro: o assunto tabu

Por Redação em 23 de Maio de 2014


Conversar sobre dinheiro com a naturalidade com que se fala sobre clima, esportes ou política faz com que as pessoas lidem melhor com suas finanças e, consequentemente, prosperem. Porém, devido à cultura, vergonha dos rendimentos e medo de sequestros ou de parentes solicitantes de empréstimos, o assunto é tabu entre as famílias brasileiras.
Na maioria das residências proíbe-se que o assunto venha à tona. Perguntar ao o pai ou à mãe o quanto ganham é considerado uma grosseria. Como muitas vezes há dívidas e falta de dinheiro, o assunto torna-se desagradável. Muitos dizem que os momentos familiares são para relaxar e curtir. Porém, quanto menos souberem sobre as finanças de casa, maior será o nervosismo quando tiverem que lidar com a realidade de contas, saldos bancários, empréstimos e investimentos.
A inclusão do tema nas conversas cotidianas faz com que o assunto se torne corriqueiro e as reações perante o tema sejam serenas. É por meio de bate-papos que se aprende e pode-se incrementar a vida financeira. O vizinho pode falar sobre a taxa de juros que paga no cartão de crédito, o colega do escritório dá uma dica sobre fundos de investimentos, a filha tem uma ideia sobre economia de energia elétrica e assim por diante. Se não se conversa sobre o assunto, fica-se aprisionado em uma redoma de ignorância financeira, e, portanto, impossibilitado de gerir com inteligência seus recursos.
Outro fator que faz com que a matéria não seja parte do bate-papo de elevador é que se confunde a personalidade com o salário recebido. Os que, naquele momento, ganham menos, se sentem envergonhados e humilhados, enquanto que os que têm uma renda alta são considerados arrogantes e prepotentes. Cria-se uma armadura psicológica que impossibilita o surgimento de conversas. Ao passar a considerar que o dinheiro é desvinculado da personalidade, o assunto brota com naturalidade. Assim como alguém que leu a previsão do clima fala para levar um casaco, pois a temperatura poderá desabar, alguém com inteligência financeira pode alertá-lo que certa ação está uma pechincha na bolsa de valores.
Portanto, a inserção do tema “dinheiro” nas conversas do dia a dia possibilita que as famílias brasileiras criem conhecimento e possam gerir melhor suas finanças. Com o passar do tempo e habitualidade, o nervosismo perante o assunto atenua-se. Além disso, consegue-se separar o que é uma simples conversa de um julgamento da própria personalidade. Com um pouco de bom senso, evita-se que sejam atraídos problemas como roubos ou pedidos de empréstimos. Dessa maneira, ao se incluir um novo tópico no rol de conversas habituais, a chance de prosperar financeiramente aumenta, até com certa dose de juros.

Fabio Araujo
Especialista em educação financeira.

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