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Opinião

Época de Mudanças ou mudança de época?

Por Adriano Paranaiba Economista em 09 de Agosto de 2013


Quando me perguntam sobre como anda o capitalismo frente às grandes crises financeiras e abalos fiscais de nações, e qual minha opinião a respeito do que virá pela frente, o único exemplo capaz de sintetizar, tanto a situação que este se encontra e como vejo o cenário para o futuro, é a figura do arquiteto Oscar Niemeyer.
De fato, ser uma personalidade que participou de tantas mudanças, e ao mesmo tempo influenciou tantas delas, é uma característica comum deste arquiteto com o nosso sistema. É verdade que ambos andam encurvados, fragilizados com o tempo, se estão cambaleantes não sabemos ao certo, pois vêm andando com auxílio de alguém ou se apoiando em móveis próximos. Mas estão ai, e como dizia um ditado antigo, vão ‘ficando pra semente’. Digo isso porque o velho arquiteto, com seus 107 anos, nas suas aparições se transfigura quando lança riscos sobre o papel: quase chego a acreditar que nunca partirá, e quando fazê-lo ficará eternamente no nosso meio; viveremos em um mundo marcado pelas repletas edificações em concreto armado.
Nessa toada anda também o capitalismo: do pleno vigor ilustrado por Smith, Ricardo e Marx, vai se tonificando ora com Keynes, ora com Samuelson e muitas vezes por Fridman que o ajudaram, apoiaram e serviram para novos impulsos nestas últimas décadas, marcadas como uma extensa época de mudanças da humanidade. Mas, ao ver os desafios que erguem para esta segunda década do novo milênio, percebo que nos confrontamos não com uma época de mudanças, mas sim, com uma mudança de época.
Digo uma mudança de época não como um fato histórico do fim do capitalismo, mesmo porque se sucumbir, nós seremos obrigados a conviver com suas edificações macroeconômicas. A mudança de época surge pela forma como a humanidade se comporta, se interage e, porque não dizer, se suporta. É bem verdade que, era sobre isso que os Clássicos escreviam em seus tratados e princípios de economia.
O Mundo e o Brasil necessitam de uma nova escola de economistas, não mais com o objetivo de questionar ou enaltecer os mestres, com ‘novo-sei lá o quê’ pra cá, ‘neo-fulano de tal’ pra lá, mas sim, economistas que repitam o gesto deles: dizer o que está acontecendo com a nova sociedade que se configura a luz de um novo paradigma social até então nunca visto. A própria geopolítica, nunca esteve tão adulterada como a que se apresenta hoje.
Para os economistas maduros (chamar de antigos é uma ofensa) não se trata de uma mudança do ideário, que cada um carrega consigo, mas uma mudança de método; para os novos economistas (assim como eu, diga-se de passagem), vale à pena se espelhar nos Clássicos, para aprender como enxergar as mudanças.

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