Sbado, 22 de Janeiro de 2022 |

Opinião

Eu quero uma política que meus filhos possam participar!

Por Redação em 27 de Junho de 2014


Zero Hora publicou uma entrevista com meu tio João Otávio, no dia 22 de junho, na data que marcava os 10 anos da morte de meu avô Leonel Brizola. Claro que se fosse a meu gosto, seria uma reportagem de homenagem, realçando os muitos feitos dele, porém o que todos leram foi o retrato das muitas feridas abertas em nossa família por suas escolhas políticas. Conheço bem essas histórias, e essas feridas. Moramos com ele no Rio de Janeiro quando era governador e sofremos as represálias das elites cariocas que o tinham como um “defensor dos pobres, dos marginais”. Imagina como era para nós, isso sem falar nas sequelas em meu pai, meus tios e minha avó, que foram amplamente expostas na matéria. Éramos crianças e assistimos, vivemos, e sofremos com tudo isso.
Se por um lado a matéria não falou dos louros, pelo menos deu a oportunidade das pessoas saberem que nem toda a herança é positiva, e que escolhas têm consequências, aprendemos que fazer escolhas é difícil e sempre se tem um preço a pagar. Todos nós, a qualquer tempo, sempre sofreremos as consequências de nossas escolhas.
(...)
Meu primeiro filho nasceu em 2009, e percorreu comigo todo o estado durante minha campanha a Deputada Estadual, e anda sempre comigo. Desde o início recebi críticas por isso, pois as pessoas estão acostumadas a homens fazendo política, e homens deixam os filhos com as esposas e põem o pé na estrada, eu levo meu filho junto e por isso não posso fazer 10 municípios em um dia, preciso respeitar os limites de velocidade, não posso colocar as nossas vidas em risco, preciso ter tempo para alimentá-lo e não podemos ir até muito tarde. As pessoas estranham, é bem verdade que algumas já estão se acostumando, pois não abro mão de cuidar dele, de ir a festa da escola, e de cuidá-lo quando está doente, porém muitos ainda resistem, tentam me demover, tentam me “masculinizar”. Precisamos ter espaço para que as mulheres possam trabalhar e criar os seus filhos, e não terem de escolher entre uma coisa e outra. Recentemente, tivemos que mudar o regimento da Assembleia para garantir o nosso direito de manter o mandato quando da licença maternidade. As vezes parece que crianças não são bem vindas na política.
(...)
A política precisa também desta oxigenação, meu filho José Inácio, de quatro anos, é empolgado com a política, convive com ela desde sempre. Estou grávida novamente, espero uma menina, e quero que ela, assim como ele, possa frequentar as reuniões políticas e terem suas opiniões respeitadas, quero que possam estar em lugares públicos e não verem seus pais receberem ofensas de seus adversários, pois divergir é uma coisa, ofender, caluniar e difamar é outra. Meu avô deixou muitos aprendizados, sua história é rica, e mesmo quando falam de nossas dores, tiramos uma lição, uma lição que a política tem que ser lugar para todos, homens, mulheres e crianças, que tem que ser um lugar de ideias e união por uma vida melhor, e por isso, às véspera de um processo eleitoral, eu peço aos homens e mulheres que nos ajudem a fazer uma eleição democrática, limpa, sem violência, uma eleição onde nossos filhos possam participar.

Juliana Brizola
Deputada Estadual e neta de Leonel Brizola

COMENTÁRIOS ()