Sbado, 29 de Janeiro de 2022 |

Opinião

Hoje eu perdi um ídolo

Por Redação em 06 de Março de 2015


É tarde do dia 3 de Março de 2015, eu estou em um estúdio na cidade de Porto Alegre tendo uma das minhas primeiras aulas do curso de "Produção Fonográfica" da faculdade. Cada vez mais situado em um sonho de viver da música, encontro-me feliz em meio a caras da minha tribo, do meu estilo, que compartilham dos meus sonhos. Sem muita pretensão, pego entediado meu celular e nele recebo uma mensagem do meu primo Henrique via Whatsapp: "Viu que o José Rico morreu de infarto?” Não. Não posso acreditar.
Recebi a notícia com o mesmo baque que teria recebido caso algum próximo amigo meu tivesse partido. Uma vez li uma definição, não lembro de quem, onde a pessoa dizia que sentia seus ídolos como amigos próximos, afinal, eles estavam junto com ele diariamente, através de suas canções. E desta forma eu me sinto com os meus ídolos. Olhando desse jeito, então, perdi um amigo hoje.
Eu, um roqueiro, vou chorar no dia da morte dos meus heróis Dave Grohl, Humberto Gessinger, Dinho Ouro Preto... Quando esses tristes dias chegarem, meus amigos, eu vou chorar sim. Assim como hoje estou chorando a morte de José Rico. Eu perdi um herói.
Eu cheguei a conhecer o Zé, bater uma foto com ele, assistir um show ao vivo... Na verdade, ele não sabia quem eu era. Fui apenas mais um fã que bateu foto com ele num show qualquer. Mas ele era meu amigo. Tem tanta relevância artística na minha vida quando os que supra citei. Assim como tantos outros em vários estilos. Sou uma pessoa realmente eclética e ser fã de Milionário & José Rico foi algo herdado do meu pai, Me criei ouvindo muita música gaúcha e sertaneja. Mas essa dupla sempre esteve DISPARADA na minha preferência. Ouço eles no meu Ipod, enquanto mais ninguém na minha idade escuta algo nesse sentido. Salvo pouquíssimas exceções. Nunca me envergonhei de idolatrar dois sertanejos sessentões. Pelo contrário: é orgulho que eu sinto de trazer essa bagagem musical.
Escrevo esse texto nesse momento literalmente com lágrimas no rosto. Eu choro a morte de José Rico. Mesmo que ele não fosse próximo do meu estilo musical predileto. Mesmo que a minha crença espiritual me faça saber que a vida é uma passagem. Mesmo que eu não seja o maior exemplo de fã de música sertaneja.
Eu choro não de tristeza pela sua partida. Mas por reverência pela importância desse cara na música brasileira. Na minha vida. Durante 68 anos ele viveu. Quase 50 foram de carreira. Não há como não respeitar. E se você soube sentir as canções, ou no mínimo conhece a frase "Nessa longa estrada da vida...", sinta-se à vontade para chorar comigo.

Obrigado Zé. Eu te amo.
Um abraço do teu amigo roqueiro, Paulinho Rahs.

COMENTÁRIOS ()