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Opinião

Noel e Cristo, dois símbolos natalinos extremos

Por Redação em 20 de Dezembro de 2013


Por ocasião do Natal, um dos temas explorados pelos cartunistas é a oposição entre dois símbolos extremos: Cristo e Papai Noel. O primeiro, símbolo sagrado da humildade e do ágape (amor cristão), enquanto que o outro, símbolo profano, é cada vez mais associado ao mercado e ao capitalismo. (Outra data que se presta a esta oposição é a Páscoa, ora retratada como a ressurreição de Cristo (imagem sagrada, a Vida), ora como coelho da Páscoa (imagem profana, comércio de chocolate).
Isso lembra Max Weber e as duas racionalizações que, para ele, caracterizam a modernidade - e que nos dividem ao meio -, uma com respeito a valores (ético-morais: o amor ao próximo), outra com respeito a fins (resultados objetivos: lucro).
Em resumo, a oposição Cristo-Noel traduz nosso conflito moderno mais íntimo. De um certo ponto de vista, somos permanentemente confrontados por estas duas lógicas: a do dinheiro (e o que ele pode comprar) e a de tudo mais que não tem preço. O fato de Noel aparecer sempre em vantagem sobre Cristo é significativo. Foi mesmo assim que Weber (e a sociologia crítica) percebeu a modernização: uma secularização, um desencantamento do mundo...

Iranilza Sampaio

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