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Opinião

Praticar o próprio tempo

Por Léo Rosa de Andrade Doutor em Direito pela UFSC, Psicólogo e Jornalista. em 19 de Julho de 2013


Sobre o tempo, sempre se voltaram à física e à filosofia. Gosto de acompanhar o tanto que se produz de teoria sobre o assunto. A mim, para o meu cotidiano, defini o tempo como o correr da vida. Há outras definições, há equações, há filosofias, há negações da existência do tempo. Mas há a vida, ela começa e acaba. É o tempo. Esse tempo me fascina e me assusta. Fascina-me a ponto de eu me voltar a preenchê-lo, tanto quanto posso, com tão-somente o que me apraz. Assusta-me de modo a eu investir tempo em cuidar do mais tempo de que posso dispor.
“Mais do que um conceito único, o tempo se apresenta como uma força de inúmeras faces, e as discussões sobre essa força se estendem aos mais diversos campos de conhecimento, entre eles a biologia e a física. [...] A vivência do tempo é uma condição de se estar no mundo, e é inerente a todos os seres vivos estar sob a ação dessa força da natureza” (Helena Mollo, http://migre.me/fssPQ). O tempo, pois, não brinca, ele é implacável e acontece.
Dentro de um dado tempo, praticamos a vida, gozamos a vida, sofremos a vida. Vivemos. Para cada um há um tempo, é o seu tempo de vida. Sabemos que o tempo se nos apresenta de muitas formas, mas duas nos interpelam: o tempo como um fenômeno da natureza (o tempo da física), o tempo como uma construção cultural (o tempo da filosofia). Vendo-se o tempo como natureza, ele apenas é. Nem mais nem menos: o tempo, enquanto fenômeno da natureza, não seria explicável, mas apenas constatável.
Já, como cultura, segundo E. R. Leach, “existem três formas básicas para se perceber a existência do tempo: a repetição das coisas (gotas caindo de uma pia, o ciclo das estações do ano); a entropia nos objetos e em nós (nosso envelhecimento biológico, a maçã apodrecendo); e notando a passagem relativa de uma coisa em relação à outra (uma maçã ‘envelhece’ mais rápido que um homem). Todas essas formas de sentir o tempo mostram-nos que a sua regularidade não é uma parte intrínseca da natureza, e sim que é uma noção fabricada pelo homem (http://migre.me/fssJ4).
O tempo, pois, o tempo que apenas é, esse tempo da natureza vai me envelhecer, vai me matar. Nesse tempo, eu, um pouco depois de agora, vou acabar. No tempo da cultura, porém, eu tenho alguma margem de manobra. Nesse tempo, interessa-me o relativo de mim mesmo com as coisas que me dão prazer. Seja: quero fazer as contas e dispor as coisas de que gosto para, na relação do tempo meu com o tempo de usufruto dessas coisas, viver com prazer.
(...)

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