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Opinião

Quem é capaz de entender as alianças eleitorais?

Por Redação em 04 de Julho de 2014


A dois dias do início de uma campanha eleitoral que irá culminar com a eleição para a Presidência da República, Governos Estaduais, Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa, e passados 12 meses das manifestações populares que abalaram a credibilidade das instituições brasileiras, é possível chegar a uma única conclusão: os caciques partidários não ouviram as vozes das ruas!
As pessoas saíram de suas casas e de suas rotinas para protestar nas ruas. O que levou as pessoas nas ruas? A luta contra a precariedade do transporte, as péssimas condições de ensino, o descaso com a saúde, por exemplo, deixou clara a distância dos partidos e suas bases. Vivenciamos uma crise de representação, uma crise ética, que fez com que percebêssemos que durante décadas nós, políticos, deixamos de ouvir a sociedade. As vozes das ruas mostraram que é preciso avaliar as praticas comuns da política. Mas será que os partidos, verdadeiramente, escutaram as vozes das ruas?
As coalizões entre partidos formadas para disputar as eleições deste ano mostram que não. Em um sistema eleitoral incoerente, onde as alianças são cada vez mais sem identidade ideológica, vale tudo para garantir mais tempo de TV e chances de chegar ao poder. E não precisamos ir longe para termos certeza disso. Aqui no Rio Grande do Sul o meu partido, o PDT, irá disputar a eleição em uma aliança com o DEM, um partido com posições históricas antagônicas ao nosso trabalhismo. Em São Paulo, o PDT estará aliado ao candidato da FIESP. Em Minas Gerais e Goiás com o PSDB. E no Rio de Janeiro irá apoiar o candidato que, no Governo, manda demolir os CIEPs, maior realização de nosso líder Leonel Brizola.
Mas isso não afeta só o meu partido. São todos os partidos. Se cruzarmos as alianças nos Estados com as construídas para a disputa presidencial, o cenário é assustador! O PT da Presidenta Dilma e o PSB de Eduardo Campos concorrem aliados na Paraíba e no Rio de Janeiro. O PSDB de Aécio concorre aliado ao PSB em Pernambuco, Maranhão, São Paulo, Paraná e Pará. Isso, sem falar nos demais partidos que compõem as alianças. O PTB ocupou cargos no governo Dilma, chegou a anunciar apoio à sua reeleição mas, aos 45 minutos do segundo tempo, mudou de lado e vai apoiar Aécio. Apesar disso, no Rio Grande do Sul, o partido continua ao lado do PT.
E o pior é que estas alianças esdrúxulas não são legitimadas pelas bases dos partidos, mas são frutos de decisões tomadas às portas fechadas pelos “caciques e suas cúpulas”. O povo, que foi às ruas clamar por transparência e dignidade na vida pública, definitivamente, não foi ouvido. Só haverá uma verdadeira democracia neste país, com a democracia também nos partidos. Só pode concorrer a cargos públicos quem estiver filiado a um partido político há, no mínimo, um ano. Mas esses partidos não precisam ser democráticos. Uma contradição que o povo desconhece, mas que os caciques partidários dominam muito bem. Espero que, nas urnas, o mesmo povo que foi às ruas diga não a estas condutas.

Tiano Caduri
Presidente da Juventude do PDT e Assessor Parlamentar

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