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Opinião

Sociedade de compatriotas

Por Eliara Coelho Magalhães Psicóloga especializada em Gestão de Políticas Públicas na FAMERP em 07 de Dezembro de 2012


Estamos constantemente discutindo sobre as possibilidades de mudança social e onde é que temos os erros sociais. Sim! Discutir é um passo. Entender os processos errados e porque eles assim acabaram neste formato é realmente colaborador, mas, precisamos de outros agentes, os que, junto com os que discutem, criam atividades que direcionam a outras possibilidades.
Tenho assistido que o apoio à produção de alimentos orgânicos, pesquisas e sistemas de reciclagem de lixos, atividades de esporte, laser e cultura, festividades populares, aplicações de urbanização humanitária, centros de atendimento psico-sociais, Sistema Único de Saúde, entre outros projetos, tão geniais, caem em desuso pela população, por falta de uma boa gestão estratégica e fiscalizatória. Desfragmentam-se pela ausência das respostas de onde, quando, para quem, e, por quê, que deveriam estar acessíveis a quem precisa. Podem até serem informadas, mas estão sem chegar à compreensão necessária para sua utilidade.
Estamos em uma época de muitas idéias. O incentivo às idéias é fabuloso. Brotam nos jogos on-line, nos filmes, nos livros de auto-ajuda, formatações sociais e despertar de discussão que realmente colaboram para início de trajetos, mas, que se abandonam no meio do caminho, e a falta de apoio é um forte lapso para as frustrações.
Sociedade é composto de pessoas sociais que captam um interesse comum e assim cumprem algumas regras para conseguirem uma finalidade. É, também, composto de pessoas que se associam e, assim, somam peculiares especialidades e dotes que acabam intervindo em carentes situações que aguardavam esta chance para agir e, juntos, possibilitam uma intervenção de construção sólida, mas, que permite mover-se junto com as transformações necessárias porque é realizada por pessoas e, delas, vem o molde que gradualmente deforma e solicita reforma para continuar na sua função existencial.
Estar, com seus mecanismos de trabalho, e, mais do que isso, buscar aprimorá-los quando é oportuno, é uma parte social importante que colabora para a transformação desta nossa sociedade, que possui tantos incômodos, que nos fazem ter más digestões, fugas e desânimos existenciais.
Usar seus mecanismos, ou seja, suas habilidades, seus dotes, “sua parte social” é o que precisamos de cada integrante da sociedade, para compreender e desenvolver, de forma que possamos colocá-lo em uso de um desenvolvimento sustentável e viável para que a vida seja preservada. Nas palavras do escritor Rubem Alves existe uma boa didática para esta percepção: “"Carpe Diem" quer dizer "colha o dia". Colha o dia como se fosse um fruto maduro que amanhã estará podre. A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente.”
E a prática da colheita precisa de muitas mãos em obra. Sem união não é possível sociedade. Sem sociedade sobra um agrupamento de pessoas que alienam e são insaciáveis.

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