Tera-Feira, 19 de Outubro de 2021 |

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Com corte de reajuste e atraso de benefícios, servidores são levados ao endividamento

Por Redação em 27 de Agosto de 2021

(Foto: Reprodução)


Dados divulgados pelo Banco Central sobre o primeiro semestre de 2021 mostram que o endividamento das famílias durante o início deste ano já bateu recorde histórico. O cálculo é realizado pelo Banco Central e estima que 58,5% das famílias brasileiras estejam com dívidas ativas em bancos. É o maior percentual desde 2005. Já em 2019, o montante total com dívidas em crédito consignado dos servidores públicos no país somava 222,2 milhões de reais. Naturalizado por defensores do liberalismo, o endividamento, neste caso, não é fruto de aquisições ou melhorias da qualidade de vida dos servidores públicos, pelo contrário, é uma consequência direta das perdas salariais dos últimos anos, somada com a atual crise econômica aprofundada pela Pandemia de Covid-19.

Em Alvorada, em acordo com a Caixa Econômica Federal, a Prefeitura autorizou o aumento do número de parcelamento permitido no crédito consignado para servidores municipais. Em suma, um acordo para aumentar o endividamento dos servidores. Uma vez que quanto maior o número de parcelas, maior o índice de juros na dívida. A ampliação do prazo que aumenta a margem do empréstimo consignado de 35% para 40% da renda tem base na lei nº 14.131 que amplia em 5% o limite para a contratação por servidores públicos ativos e inativos, militares, aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) com base no valor do benefício. O aumento vale até o fim de 2021. O crédito consignado é descontado diretamente da folha de pagamento da pessoa que tomar o empréstimo.

Ao mesmo tempo que facilita o endividamento das famílias, o Governo Federal, o Estadual e também o Municipal seguem com uma cartilha de cortes. Foi assim com a Lei Complementar 173/2020 que congelou a concessão de benefícios, incentivos e reajustes para servidores públicos. Devido à está lei, os servidores municipais de Alvorada já perderam 3%, no mínimo, em seus salários, o valor é referente à Gratificação por Tempo de Serviço (GTS). Soma-se a isso, os efeitos da Reforma da Previdência que elevou em 3% o desconto nos salários do funcionalismo municipal. E para concluir, em um ato de desrespeito e covardia o Governo Municipal revogou a correção inflacionária do salário dos servidores municipais de Alvorada que foi de 4,52%. Na soma geral do ano de 2021 são menos 10,52% nos salários dos servidores públicos da cidade, sem contar as perdas com relação à inflação dos preços dos produtos e serviços.

A grave situação é um reflexo do nosso país, e das políticas que guiam nossa economia. A quem interessa o endividamento dos servidores públicos e das famílias brasileiras? A cada família ou servidor público com dificuldades financeiras existe uma cadeia econômica que envolve seu núcleo familiar, escola, pequeno comércio, serviços de bairro, entre outros que são diretamente afetados. Indiferentes a isto tudo, “a boiada” do Governo Bolsonaro segue passando e na próxima semana a Reforma Administrativa, que acabará com os serviços públicos deve ser votada na Câmara dos Deputados. Enquanto isso, a Reforma Tributária, que poderia amenizar os impactos da crise nas famílias mais pobres, segue parada.

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