Sbado, 23 de Outubro de 2021 |

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O colapso do transporte coletivo, o presente de aniversário que ninguém queria

Por Redação em 17 de Setembro de 2021


Alvorada completa 56 anos em meio a uma crise no transporte público na cidade, que parece não ter uma solução imediatas. Desde que iniciaram os rumores de que a VAL (Viação Alvorada) encerraria suas atividades em virtude das dificuldades financeiras os alvoradenses não param de se perguntar como será o sistema de transporte público. Hoje o sistema de linhas de ônibus inclui a VAL (Viação Alvorada) que opera as linhas internas da cidade e a Soul que opera as linhas metropolitanas, que ligam Alvorada à Porto Alegre e às demais cidades da Região Metropolitana, além das linhas TM1, TM2 e TM5.

A crise dos sistemas de transporte coletivo é uma realidade fruto da soma de vários fatores: a ganância dos empresários do setor que por anos operaram sem fiscalização e com péssimas condições de trabalho aos rodoviários; a alta dos preços dos combustíveis e insumos provocada pela política de preços desastrosa do Governo Bolsonaro; e a entrada dos aplicativos de transporte no mercado. Com a concorrência, e a má qualidade dos serviços não demorou para muitos usuários migrarem para os aplicativos, afinal, os serviços de ônibus apresentam uma dificuldade de cumprir horários. Apesar disso, a existência dos ônibus urbanos é essencial para o deslocamento de uma enorme quantidade de pessoas diariamente. E por isso é preciso garantir sua existência, de forma adequada, com qualidade e transparência.

A VAL, conforme, dados divulgados transportava por dia cerca de 1,3 mil pessoas, com passagem estabelecida em R$ 4,70. A empresa tem o interesse de encerrar o contrato, contudo a vigência da atual concessão vai até 2023. A Prefeitura se nega, de forma acertada, a encerrar a concessão firmada com a empresa. No entanto, foram muitos os esforços da Administração Municipal para beneficiar a empresa: corte do vale operário, corte de linhas de ônibus, aumentos de tarifas, isenções fiscais. O ISS (Imposto Sobre Serviços) caiu de 5% para 2%, as linhas de ônibus foram reduzidas a apenas quatro (4). Enquanto a indefinição segue, os usuários aguardam por horas nas paradas para ir aos seus destinos.

Sem ônibus, sem passagem (como é o caso de muitos servidores municipais, que tem recebido o vale transporte atrasado) qual é a solução? Usar os ônibus da Soul é a principal alternativa, mas a passagem é mais cara (R$5,30/R$6,40) e em horários de pico a lotação, muitas vezes, impede o embarque nas linhas. É preciso garantir uma solução adequada à realidade da população de Alvorada, isso inclui uma concessão com nova licitação, uma tabela tarifária que caiba no bolso dos trabalhadores, uma política de preços de combustíveis que proporcione desenvolvimento econômico ou, até mesmo, a municipalização do serviço. E não a liberdade total e sem controle público como propõe o Projeto de Lei (PL) que está em discussão na Câmara de Vereadores. Alvorada precisa de cuidados, e proporcionar qualidade de vida ao seu povo seria o melhor presente a receber.

Rodinei Rosseto - Presidente
Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Alvorada

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